
Tive a honra de apresentar em começo de julho deste 2010, uma palestra do grande cartunista brasileiro Mino. O áudio da palestra você confere abaixo ou no download.
Quem conhece cartum nacional já deve ter tido contato com o trabalho do Mino, mas para os neófilos é uma excelente oportunidade de saber mais da trajetória dessse Mestre das Histórias em Quadrinhos brasileiras e ter contato com sua história, sua vivência e sua incomparável presença de espírito e bom humor.

O áudio foi mantido praticamente sem edição para manter a documentação desta gravação intacta para a audiencia. Bom programa e boas risadas.
Release
No dia 13 de julho acontecerá o lançamento Oficial da revista em quadrinhos As Desventuras de Davi no Auditório do Centro Cultural Dragão do Mar.
No momento o público poderá conferir a 3ª edição da revista que conta com HQ´s (histórias em quadrinhos) dos personagens criado pelo quadrinhista cearense Valdeci Carvalho. A edição conta também com a participação especial dos cartunistas locais JJ Marreiro, Klévisson Viana, Guabiras e Gabriel Trujillo.
Poderá ser conferido também detalhes de um desenho animado que está em produção dos personagens, além do público conhecer melhor o cenário local da produção de histórias em quadrinhos em uma palestra ministrada por JJ Marreiro.
O lançamento começa às 19 horas, a entrada é franca.
Lançamento da revista As Desventuras de Davi nº3
Local: Auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura ( andar de cima, próximo ao planetário e espaço mix).
Dia: 13 de julho (terça)
Horário: 19 horas
Mais informações: (85) 8744.6736 ou valdecidefortaleza@yahoo.com.br
Conheça mais sobre os personagens de As Desventuras de Davi no site: www.desventurasdedavi.com

No podcast Papo Armagem, você confere a cobertura do evento MAIS HQ em Sobral com a presença de Geraldo Borges, Lederly Mendonça, Alex Lei, Walter Giovani, Rob Lean e Diego Bernard. As entrevistas com os artistas e com um dos organizadores do evento, Zé Wellington, dão a noção de como foi esse encontro entre autores e leitores em meio às oficinas, palestras e debates organizados pelo Grupo Gattai.
Links:
Grupo Gattai
MAIS HQ
Velame Studio

As Histórias em Quadrinhos e os mangás vem ganhando cada vez mais espaço no mundo pop com as adaptações para cinema, tv e outras mídias. Secretarias de Cultura de diversos municípios e estados passaram a reconhecer a relevância social da Arte Sequencial e começaram a investir em espaços públicos e projetos associados a essa temática. E é nesse cenário que cada vez mais instituições abrem espaços para cursos de quadrinhos.
Em Sobral o cartunista Wescley Braga lança os cursos de Desenho, Quadrinhos e Mangá. Como a maioria dos profissionais da área, Wescley começou sua trajetória no meio independente editando seu material junto ao Grupo Gattai. Agora além de atuar na área do design e ilustração, o desenhista inicia um novo empreendimento ministrando os cursos de desenho, mangá e quadrinhos.
Em depoimento ao Laboratório espacial, o cartunista e designer ressaltou a importância dos cursos de quadrinhos que hoje existem nas principais cidades do país complementando: “O quadrinho é uma mídia de muito peso quando usado de maneira correta, até o Google já usou como recurso de publicidade.Infelizmente, algumas pessoas ainda vêem como algo infantil. Aprender a produzir em várias mídias é um diferencial de mercado. Para qualquer profissional que atua na área de comunicação hoje, é indispensável conhecer o poder dos quadrinhos.”
Wescley lembrou a presença do quadrinho nas mídias cinema, TV, games e as adaptações literárias de grandes romances brasileiros para quadrinhos como elementos motivadores para formação de público e mercado de trabalho para quadrinhistas.
Os cursos ministrados por Wescley incluem exercícios específicos dentro das aulas práticas e teóricas,onde o conhecimento vai sendo construído numa metodologia construtivista composta da interação com o aluno e constante avaliação de suas produções.
Entrevista
O Quadrinhista Wescley Braga (integrante do Gattai Zine e professor de artes) abre a cachola para dividir com o Laboratório Espacial algumas de suas impressões sobre os Quadrinhos e sua relação com a comunicação social e o mercado.
Quais elementos vc acha que podem ajudar o grande público a entender o Quadrinho como uma mídia de múltiplos gêneros e temáticas?
WESCLEY: Embora muitas pessoas não leiam quadrinhos, quando vão ao cinema ou veem televisão encontram derivações dos quadrinhos. O cinema e a televisão são é sem dúvida meios mais fáceis de atingir um público maior e tem usado quadrinho como fonte para se renovar.
As pessoas que vão assistir um filme e descobrem que foi baseado em HQs acabam se interessando também a procurar a obra original, algumas vezes até mesmo para ver informações que vão além do filme. Do mesmo modo, alguns quadrinhos basedos em grandes obras literárias também podem levar as pessoas a procurar os livros, que são a obra original. Então acaba tudo que interagindo, e uma mídia vai ajudando a outra a se propagar.
O mangá mesmo sendo segmentado por faixas etárias e assuntos ainda é, em grande maioria, publicado no Brasil apenas como produto de consumo para adolescentes, não é?
WESCLEY: O maior problema dos quadrinhos é a divulgação e isso ocorre também no mangá. O mangá tem vários temas, gêneros, dirigidos a várias faixas etárias e ainda assim é consumido apenas por uma maioria de adolescentes, porque simplesmente o público em geral desconhece essa diversidade. A nova turma da mônica em estilo mangá está sendo um grande sucesso e isso também é algo que vai levar outras pessoas que eram só acostumadas a ler Mônica a buscar também outros mangás. Mas por trás de tudo isso teve uma divulgação que valorizou a turma da Mônica. Porque será que na televisão não tem um comercial sobre um lançamento de um mangá? É porque falta investimento e reconhecimento da grande mídia que é o quadrinho.
Se fizermos uma pequena observação como funciona o mercado de mangás no Japão e o quanto as editoras lucram com com seus derivados, animes, jogos, filmes e outros. Isso nos bastaria para ver o quanto o quadrinho tem o seu valor.
Ainda sobre quadrinhos e mangá, eles fazem parte de um composto maior que é a arte sequencial. Que áreas do conhecimento você acha que podem fazer bom uso das técnicas narrativas e visuais do quadrinho e do mangá?
WESCLEY: Em filmes e animação os conceitos são muito parecidos, como a criação de roteiro. Se você cria um roteiro para um quadrinho, ele pode ser usado para criar uma animação, um filme, uma novela, um seriado. Tudo tem uma relação de mensagem e visão. Seja no design gráfico, no web design, nos quadrinhos. Mais do que tudo, nesses meios, uma mensagem deve ser levada através do elemento visual, ou seja, são os recursos visuais, desenho, ilustração, tipologia, diagramação, cores, layout dentre outros, que irão transmitir a mensagem ao público.
Agradecemos ao Professor Wescley Braga pela entrevista e torcemos para que mais e mais pessoas venham a descobrir o mundo dos quadrinhos e suas múltiplas facetas através dos seus cursos de desenhho, quadrinhos e mangá. Para mais informações sobre o trabalho do Wescley Braga visite:
www.Wescleyb.com
www.wescleyb.blogspot.com
Grupo Gattai
Mais detalhes sobre os Cursos ministrados por Wescley Braga clique aqui.

Sempre achei os extras dos DVDs tão interessantes quanto os próprios filmes. Principalmente se eles vem em formato making of, com depoimentos e cenas de bastidores. Alguns quadrinhos trazem material semelhante, com leiautes de personagens, sketchs, planejamento de página e partes do roteiro. No Livro Interno número um é exatamente este tipo de material que vc vai encontrar, várias artes, esboços e character designs que registram as estapas de produção desta mega história em quadrinhos que é o Comando V. Para todos que se empolgaram com os personagens esta é mais uma oportunidade de saber mais sobre os personagens e sobre a criação das sua histórias.
O Livro Interno #01 está disponível gratuitamente em:
http://www.4shared.com/file/noPBooSF/CV-Livro_Interno-01.html

Mais sobre o Comando V no site: Central Comando V


Buck Rogers, surgiu em 1928 e é considerado o primeiro herói espacial dos gibis. Originário do romance pulp Armaggedon 2419 A.D. de Philip Francis Nowlan, chegou aos quadrinhos em 1929, com arte de Dick Calkins, inspirando vários autores a enveredar no tema da ficção científica. A exposição direta a um estranho gás leva o oficial da força aérea Antony “Buck” Rogers a um sono de 500 anos. Ao despertar encontra um planeta devastado e dominado por alienígenas e à partir disso sua missão de libertar o planeta dá à série o tom de aventura e exploração espacial. O herói permeia o mundo pop através de seriados de tv e cinema e várias versões em quadrinhos, incluindo a recente e elogiada série da editora Dynamite. Mais sobre Buck Rogers aqui: http://www.armagem.com/armagem_heretica/2009/05/
No rastro de Buck Rogers veio Flash Gordon (no cinema o ator Buster Crable chegou a interpretar os dois personagens). Criado pelo traço realista de Alex Raymond para distribuição pela King Features em 1934 o personagem vivia aventuras folhetinescas em grandes páginas dominicais. Com o formato da página dominical era possível explorar cenários, texturas e grandes figuras, elementos que Raymond dominava muito bem. Dan Berry , Al Williamson e Jim Keefe também produziram sequencias marcantes de hqs e tiras para o herói.
O astro dos esportes Flash Gordon viajava por terras inóspitas enfrentando desafios diversos para evitar catástrofes provocadas por seus inimigos do planeta Mongo. O Reino de Frígia, Arbórea, o Reino das Cavernas são alguns ambientes de Mongo explorados ao longo das aventuras que nos quadrinhos foram ampliadas e revisitadas. Além de seus companheiros constantes de viagem nos quadrinhos Flash ganhou outros companheiros e suas histórias conseguiram quebrar o padrão estabelecido pelas tiras sem perder o encanto.
Nos anos 30 a 50 revistas como Adventures into the Unknown, Planet Comics, Weird-Science e outras notabilizaram as aventuras espaciais e estreitaram sua relação com o terror. A quantidade de personagens no gênero proliferou ao ponto do incontável.
Nos quadrinhos dos anos 60-70 a futurâmica espacial trouxe aos leitores personagens como Adam Strange (Joe Cometa no Brasil), Rip Hunter…Time Master. Magnus, Robot Fighter e personagens de Edgar Rice Burroughs como John Carter de Marte e Carson de Venus foram quadrinizados e apareciam em publicações próprias ou como hqs complementares nas revistas Tarzan e Korak da DC Comics.
No Brasil, 1953, Ziraldo publica os heróis espaciais Teleco e Tim na revista Era uma vez. Gedeone Malagola criou uma série de personagens no gênero. Capitão Astral, Captão Jupiter, Eletra, Steve Kirby e Jony Ciclone. O Astronauta (de Maurício de Sousa) criado em 1975 com o traço cartum típico de seu autor é um explorador espacial, o que exige uma coragem heróica. A serviço da BRASA (Brasileiros Astronautas) o personagem sempre teve um tom bem humorado, chegando a encontrar personagens parodiados de outras manifestações famosas da Ficção Científica da TV, cinema e gibis. Ainda que haja uma proximidade com a aventura, as histórias do Astronauta muitas vezes adquirem um tom filosófico digno das melhores obras da ficção como no episódio em que o Astronauta encontra a namorada perfeita e no fim descobre tratar-se de uma garota-robô.
Kenton of the Star Patrol, Space Rangers, Rex Clive and The Space Officers, John Hunter of the Marsmen, Rod Hathway, Space Detective, The planetary Adventures of Flint Baker e tantos outros povoaram a imaginação dos leitores de quadrinhos numa época em que o cenário era muito mais rico e democrático. A Europa e o Japão certamente nos forneceriam mais umas boas dezenas de personagens do gênero nos Fumettis, Band Desinès ou Mangás. Da Sergio Bonelli Editori na Itália vem Nathan Never, Legs Weaver, Gregory Hunter e Brad Barron. Nos mangás o famoso Goku de Dragon Ball ganhou o espaço em recente encarnação. O gênero ‘Heróis Espaciais’ ou ‘Heróis Sci-Fi’ fez história e, adaptando-se aos novos tempos e a novas linguagens, não desapareceu completamente das Histórias em Quadrinhos e dada a facilidade que os recursos tecnológicos oferecem, invadiu o cinema e a tv que tem enveredado pelas trilhas do espaço desconhecido em produções cada vez mais requintadas.

O quadrinho
, assim como o futebol, possui algumas máximas. Uma delas está no cerne do tema de hoje…porém vou colocar uma resalva: É fácil concordar que nos quadrinhos, assim como num bom livro ou num bom filme o elemento mais importante é a história. Mas, quantas vezes um efeito mal colocado ou uma sequencia mal redigida ou dirigida arruinaram um bom filme ou um bom livro? Assim sendo, eis a questão: A coisa mais importante numa história em quadrinhos é a história, mas numa história em quadrinhos a forma e o conteúdo são um amálgama dos trabalhos de um escritor e de um desenhista. Assim, mesmo que a máxima permaneça, é necessário entender o desenho como elemento quitessencial nesse processo contribuindo para afirmar a qualidade da história narrada ou arruiná-la.
Quantas vezes um leitor perde o estímulo de comprar uma revista se o desenho não for aprazível? Ele pode ter deixado de adquirir a maior obra de quadrinhos de todos os tempos…mas, já que os quadrinhos são um resultado da união de elementos textuais e visuais…uma revista muitíssimo bem escrita, mas porcamente desenhada poderia ser considerada uma obra genial? E ainda mais importante…quantos maus desenhistas arvoram-se de genialidade alegando possuírem um traço estilizado, quando de fato pecam em técnica e narrativa? Há por outro lado excelentes mestres do desenho que não conseguem administrar seu traço numa cadeia lógica de ações em transições de quadro.
O mercado norte-americano é uma referencia mundial de vendas e de marcas… Batman, Superman, Homem-Aranha não são mais super-heróis, são empreendimentos numa indústria que possui dois pesos e duas medidas. Basta comparar a qualidade dos desenhistas e notar que em meio a um bom número de experts do traço existe também uma penca de “amigos de editor”, porque não se justifica a péssima qualidade de certos traços de outro modo. Enquanto para alguns artistas existe a exigência de exímio conhecimento de texturas, anatomia, perspectiva, etc a outros exige-se apenas que seja amigo de alguém. Correndo o risco de advogar para o diabo, o editor deve conhecer características desses colaboradores que não chegam até os leitores, pode ser que a qualidade esteja no cumprimento de prazo, na velocidade de produção ou no que quer que seja. Infelizmente, essas qualidades não são percebidas pelo leitor que só vê a péssima arte estampando Homem-Aranha ou Batman em cidades com prédios tortos e anatomias inexistentes. Há ainda a “turma do tudo lindo” para quem os quadrinhos norte-americanos não possuem defeito, todo erro tem uma justificativa: “O traço do cara é estilizado!”, “Esse cara é um gênio incompreendido!” ou “olha como essa editora é revolucionária publicando esses artistas de traço cabeça!”.
O fato é que o quadrinho é uma mídia eminentemente visual, onde o desenho é de suma importância para angariar leitores ou encantar velhos colecionadores. Esse desenho está num contexto e estabelece as imagens que vão ficar na cabeça do leitor. A coisa mais importante numa história em quadrinhos até que ainda pode ser a história, mas se ela estiver acompanhada de um excelente desenho, certamente ganhará um lugar especial na memória e no coração do leitor.

O Primeiro MAIS HQ, organizado pelo Grupo Gattai em Sobral foi responsável por um impressionante crossover entre artistas e público. Criado como segmento do FAMS 3, um já tradicional encontro de Mangá e Animê, repleto de atrações a exemplo dos concursos de cosplays, arqueria, stands diversos, karaokês, exibições de animês , ou seja, o evento reuniu cultura pop e entretenimento com bastante diversidade.
O ambiente do Gattai explorou o tema arte-sequencial em todas as suas vertentes democraticamente cedendo espaço aos comics, mangás e produção nacional sob a ótica de que a mídia tratada era uma só: quadrinhos.
Walter Giovani, Rob Lean e Alex Lay exploraram os quadrinhos feitos para o mercado americano e abordaram asuntos como leiaute de página, desenho e arte-final. O Tema da narrativa foi apresentado por Geraldo Borges, enquanto JJ Marreiro ministrou oficina sobre as semelhanças e diferenças entre os roteiros construídos para os mangás, os quadrinhos nacionais e os norte-americanos. Wescley Braga e Camila Nágila (Gattai Zine) ensinaram técnicas de desenho.
A grande ausência foi da Editora Quadrix que por motivos outros não pode compor o cenário do encontro ou o posterior debate que teve ainda Lederly Mendonça e Marcílio Oliveira (Cilio) numa mediação de Zé Wellington (Grupo Gattai).
Uma particularidade do MAIS HQ foi a presença e apoio massivo da produção independente (revistas e zines). Com a ausencia dos títulos regulares de mangá e suas republicadoras, os independentes puderam mostrar sob os holofotes a sua potencia e qualidade. O destaque é para as produções da equipe Mangaka-Ex3 e os zines Eleven Dreamers, Metamorfose, Angel Blade e Love Jumping.

Com o MAIS HQ o cenário de quadrinhos do Ceará começa a ganhar dinamismo e expandir-se para promover congraçamento entre autores e agregar mais público. Com esta iniciativa espera-se que mais e mais cidades inspirem-se no exemplo e empenhem esforço para levantar o nome dos quadrinhos e valorizá-lo como mídia e manifestação artística.
Links: Grupo Gattai, Equipe MAngaEx3, Alex Lei, Diego Bernard, Geraldo Borges, Velame Estudio.
Numa iniciativa ousada e surpreendente a primeira edição do Comando V chega à web em versão integral para download. Devidamente autorizada pelos criadores, o desenhista Allan Goldman e o roteirista JJ Marreiro, a série está agendada para ter continuidade sob o selo do Laboratório Espacial.
Nesta edição de estréia uma equipe de super-heróis coordenada pelos órgãos de inteligencia do governo brasileiro enfrenta a discriminação e o racismo materializado num séquito neo-nazista espalhado pelo país. Além de enfrentar os vilões o grande desafio é manter-se como grupo apesar da diversidade de posturas e opiniões. O texto remete às estruturas dos quadrinhos Marvel-DC atuais, mas com uma forte influência dos bons quadrinhos de super-heróis dos anos 80, como os Novos Titãns de Wolfman e Perez e os X-men de Byrne e Claremont.
A equipe é formada pelos personagens Alfa Negro, um líder relutante; Taquicardia, cuja telecinésia atinge apenas organismos vivos; Yeti, um gigantesco pé-grande; Pilha, um jovem cujo corpo possui um grande volume de energia que pode ser direcionado para diversos fins e Oculto, um misterioso visitante que adotou o planeta Terra como lar. Coordenados pelo agente Palhares, um experiente agente do governo expert em casos envolvendo paranormalidade e situações de crise. O Comando V é o resultado de várias tentativas anteriores do desenhista Allan Goldman de criar um universo de heróis, os designs de personagens e seus perfis foram desenhados e redesenhados várias vezes até chegar na versão final. As tramas estão sendo desenvolvidas com o raciocínio de que qualquer edição pode ser a primeira edição de alguém, assim, não haverá dificuldades de entendimento para os leitores que tiverem interesse de fazer um “test-drive” de qualquer das edições.
O Making of desta e das próximas edições pode ser acompanhado no site oficial do grupo. A edição impressa ainda pode ser adquirida pelo e-mail: central_comandov@yahoo.com.br. Para fazer o download é só clicar no link abaixo.

A afirmação no título desta coluna, com o perdão da má palavra, é uma mentira deslavada! A difusão desse tipo de afirmação só presta serviço aos detratores do quadrinho brasileiro e àqueles que não tem interesse de ver um mercado brasileiro forte e sólido.
Parte das pessoas que proliferam essa afirmação se valem do argumento de que a grande maioria dos nossos artistas desenha apenas HQs escritas por autores norte-americanos e para o mercado norte-americano. Vejamos…afirmar que não temos roteiristas pelo motivo citado parece injusto com os que escrevem e lançam seus álbuns em livraria, com os que trabalham com webcomics e todos os autores independentes. Negando essa hipótese da existência de bons roteiristas em terras tupiniquins gostaria de citar apenas por alto alguns autores de põem por terra tal falácia: Gian Danton, Leo Santana, Alexandre Lobão, Wilson Viana, Fernando Lima, André Diniz, Marcelo Cassaro, Gerson Witte, Cynthia Carvalho, Alexandre Nagado, Alvimar Pires dos Anjos, Wellington Srbek…Para deixar a lista pequena é necessário ser um pouco injusto. E ainda no campo da injustiça a lista dos que considero nossos clássicos precisa ser pequena por mera otimização de espaço: José Meneses, Luiz Antônio Aguiar, Júlio Emílio Braz, Franco de Rosa, Jayme Cortez, Flávio Colin, Cláudio Seto, Gedeone Malagola, Wilde Portela e por aí vai.
Antes de afirmar que o Brasil não possui bons roteiros ou bons roteiristas vale a reflexão…A quem serve essa opinião? Ela faz sentido? Num país que ocupa 8.547.403 km2, possui 5.564 municípios e cerca de 193 milhões de habitantes, não existem bons roteiristas de quadrinhos? Isso deixa claro o fato de que a opinião de que “não existem bons roteiristas no Brasil” é uma afirmação ideológica e que serve a um propósito ideológico. Inadvertidamente levar adiante este dogma é sabotar a produção nacional.
Se não existem roteiristas brasileiros (ainda) publicando em larga escala nas grandes editoras gringas isto é reflexo de uma postura editorial de critérios e padrões a serem seguidos e não uma questão de competência. As ‘grandes’ preferem dar espaço a autores que já possuem nome e materiais publicados em suas fronteiras, convenhamos que É um critério. Apesar de alegarem que autores não-nativos tem dificuldade de entender a dinâmica das suas cidades e suas especificidades geográficas e culturais, essas editoras ignoram o fato de que histórias são acontecimentos que refletem ânimos, interesses, relações e conflitos humanos sobretudo. Ou seja, não conhecer os nomes das ruas de New York e suas esquinas é um argumento frágil para dizer um ‘não’. Além disso, conhecer esquinas e ruas é uma questão que uma rápida visita a internet ou a um manual turístico pode resolver rapidamente, novamente o ‘não’ se fragiliza. Para completar, a quantidade de títulos passados em cenários alheios a cultura do cotidiano norte-americano é grande e ocupa espaço relevante em vendas: Lanterna Verde, Nova, Surfista Prateado, Adam Strange, Conan, Pantera Negra e toda sorte de personagens cujas aventuras não se passam nas esquinas da Broadway com a Sétima Avenida. Concluindo este tópico, é preciso pensar essas coisas gigantescas que são as editoras Marvel e DC como empresas que querem lucros… e propaganda fácil ajuda muito. Elas podem dizer os seus ‘nãos’ tranquilamente para quantos josés manés quiserem, mesmo que escrevam-lhes propostas geniais, mas dificilmente gastariam os mesmos ‘nãos’ com um escritor como Paulo Coelho, um dos mais lidos do planeta! Aliás, nem precisa ser o famoso ou badalado no nível do alquimista carioca para conseguir um ‘sim’.

Mesmo que o mercado norte-americano com toda sua pompa e toda publicidade hollywoodiana seja alvo do sonho de muitos, não é o sonho de todos. Ainda há aqueles que querem apenas ver suas histórias publicadas, ver seu material chegando às mãos dos leitores, aqueles que se preocupam apenas em contar boas histórias. Se elas puderem alcançar o Brasil inteiro, muito bom, se alcançarem todos os países de língua portuguesa, tanto melhor.
Pra encerrar, a desproporção entre a quantidade de roteiristas e desenhistas brasileiros conhecidos não justifica a inexistência de bons roteiristas no Brasil, muitos deles trabalham em material institucional ou em produtos que não veiculam seus nomes. E o fator principal desse desnível em termos de quantidade é que os desenhistas brasileiros encontram espaço em banca perfurando o caminho até o leitor via editoras estrangeiras. Os desenhistas acabam ficando mais badalados que os roteiristas pelo fascínio que a imagem provoca, e os quadrinhos são uma mídia de potencia visual. Alguns dos nossos escritores de quadrinhos empenham seu talento também em outras fronteiras seja em produções para TV, jornal, revistas, livros, web. Talvez seja necessário falar mais a respeito dos nossos escritores e facilitar o acesso a seus escritos, sendo quadrinhos ou não. E por fim, mesmo que pareça bairrismo, não custa nada indicar para os amigos aquela HQ, ou aquele webcomic bem escrito que você encontrou.
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