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O Prêmio Elita Ferreira é uma honraria concedida pela Academia Pernambucana de Letras destinada à produção em literatura para o publico infantil. Engenheiro e Professor Universitário, Antonio Nunes foi agraciado nas premiações relativas a 2008 e 2009 com os Livros: “O aprendiz de Don Juan” e “A visão do mundo de um cãozinho de estimação”. Nesta entrevista exclusiva, o autor fala de educação, literatura, criatividade e sobre uma nova ótica de produção editorial à margem do mercado tradicional.
-Prof. Nunes, como um Engenheiro e Professor Universitário acabou se tornando também um escritor?
Rapaz, o primeiro registro de escrito meu datilografado (pela expressão já sabe que faz um bom tempo, não?) é de 1979. Eu tinha 9 anos de idade. Acho que o escritor é que se tornou engenheiro e professor universitário. Em verdade, houve um período em que me dediquei com mais afinco à engenharia e à carreira universitária. Mas, sabe com é, coisa latente é assim, um dia eclode e não deu outra… Desde então, a escrita (a literatura como um todo) vem ganhando cada vez mais espaço em minha vida pessoal e, quem sabe, se torne mesmo uma atividade profissional.
-Existe algum elemento em comum nas suas histórias?
Dizem que tudo o que um escritor é coloca no papel, mas que reflexo de sua percepção do mundo que o cerca, está recheado de impressões e de memórias pessoais. Comigo, no tocante aos contos infantis, creio que isso acontece. Quem leu as minhas histórias diz que elas trazem nas entrelinhas sempre um quê filosófico, que não são exatamente contos exclusivamente para crianças. Bom, como este comentário já se repetiu algumas vezes, creio que seja bem verdadeiro. Quanto aos assuntos tratados, estes são os mais variados. Acredito que a fonte de inspiração ainda tenha bons frutos a oferecer…
-Você é considerado pela crítica um contista revelação, o que sua produção textual inclui além da produção acadêmica e da literatura infantil?
Além dos contos, maior parte de minha produção textual (se puder me definir como escritor, digo que sou essencialmente contista), já escrevi algumas novelas (romances curtos ou contos longos, como dizem por aí). Uma destas novelas (Gênesis – uma história de amor e ciência…) recebeu menção honrosa na categoria ficção pela Academia Pernambucana de Letras em 2009. Como não podia deixar de ser, eventualmente, faço incursões pela poesia, mas não me considero apto a ser cunhado de “poeta”.
-Qual a importância da presença da leitura no processo de formação? A família pode colaborar com a escola para presenciar o livro na vida dos estudantes?
Sempre digo aos meus alunos que existem dois processos para a mudança de comportamento, de valores, de posicionamento diante do mundo e da própria realidade. O primeiro é a exclusão, que te força a comparar o teu ser e estar com o do grupo social no qual você está ou pretende estar inserido. Esse caminho é duro e nem todos conseguem alcançá-lo. Já o outro, que depende exclusivamente de você e que ninguém pode negar, é a educação, a leitura, pois é independente das demais pessoas. O primeiro é uma mudança promovida de fora para dentro, enquanto a segunda é uma mudança de dentro para fora. Me entende? Nesse processo a família é de fundamental importância, incentivando, presenteando com leituras, proporcionando experiências desta natureza. Pode ser com um gibi, um livro paradidático, jornais ou mesmo com clássicos da literatura. O importante é ter acesso, desde cedo, à leitura.
-O Brasil está desenvolvendo o Programa de Alfabetização na Idade Certa por culpa de uma deficiência no acompanhamento e avaliação de conhecimento do ensino público. Isso vai atuar na parcela da população jovem que passou pela escola e não aprendeu a ler. Mas as pessoas que mesmo sabendo ler e não lêem constituem um outro problema que é o analfabetismo instrumental. Para este outro analfabetismo deveria haver também um projeto de estímulo a leitura?
Claro que sim. Há uma máxima que diz o seguinte: “Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê!”. Se não sabemos ler bem, e isso inclui interpretar além do escrito (um livro, um jornal, um anuncio de outdoor, um contrato etc.), compreendê-lo por completo, perdemos muito de nossa capacidade de perceber o mundo ao nosso redor e de nos colocarmos diante dele, não é verdade?Algum tempo atrás cheguei a escrever um texto para o Programa Literatura para Todos, do Ministério da Educação, destinado a sistema nacional de alfabetização de jovens e adultos, mas os muitos afazeres do dia a dia acabaram por não permitir que concluísse a obra a tempo do certame existente à época. Para quem vive na terra de Paulo Freire e já bebeu de suas ideias, convém relembrar que o aprendizado é forma de construir a própria vida.
-Quais os autores nacionais e estrangeiros são referenciais de boa leitura para você?
Entre os brasileiros tenho como preferidos o Moacyr Scliar (que considero o maior escritor vivo de nosso país – e que assim permaneça por muitos e muitos anos, nos brindando sempre com obras-primas), o mestre Machado de Assis e o Rubem Braga, com suas maravilhosas crônicas. Entre os estrangeiros, tenho predileção pelos contistas russos (Tchekov, Tolstoi e Gorki), os franceses (entre eles o incrível Maupassant) e os italianos (Moravia, Pirandelo, Primo Levi e Calvino – embora cubano de nascimento este último). Leio muito e de tudo, por insistência de um bom amigo tenho descoberto no original contos de escritores ingleses maravilhosos (Munro – Saki, Wells, Poe, Dickens e Kippling, dentre outros). Ademais já travei contato com contistas excelentes de muitas outras origens (Kawabata, Lugones, Bashev Singer, Onetti etc.), além dos clássicos dos contos infantis, como: os irmãos Grimm, Andersen, Monteiro Lobato e muitos mais.
-Você acha que um autor tem sempre altos e baixos ou isso é apenas uma questão da maneira como o público repercute suas opiniões sobre as obras?
A questão é que sempre temos períodos mais produtivos e outros menos, seja na quantidade, seja na qualidade dos escritos. Creio que isso acontece com todas as atividades profissionais. Acontece também que a palavra escrita pode ser recebida, interpretada e avaliada. Alem do mais, uma vez que levamos um texto ao público, ele já não será mais nosso, passará por novas apropriações. Ganha vida independente, pois muitas vezes, conseguem apreender algo que o escritor jamais imaginou ou lhe passou pela cabeça conscientemente. Ah, o inconsciente! Daria várias entrevistas este tema…
-Como é seu processo criativo? Qual o gatilho que deflagra a geração de um livro?
Sabe que sinceramente não sei! Pode ser um fato presenciado, que ouvi contar, uma palavra que me soa de outra forma… É uma verdadeira bala perdida (desculpem-me o trocadilho) e que acerta o alvo certo. Em resumo, atento ou não para as coisas do cotidiano, os motes, as inspirações surgem a qualquer momento e local, por isso é sempre bom ter papel e lápis à mão. Tenho um banco de planos repleto em meu computador, um dia as histórias nascem… Adormecem por um período (ou não) e depois ganham vida… Às vezes me acordo no meio da noite e tenho aquela compulsão em escrever. Não penso muito no que escrevo e, quando me dou conta, já está lá. Na maioria das vezes, quase pronto. Gosto de manuscrever (pois, para mim, assim as ideias fluem melhor, mais rápido) e depois lapido o escrito enquanto o digito.
- A pergunta a seguir pode parecer uma saia justa, então se não achar conveniente pode não respondê-la,ok? Ao contrário do que ocorre em algumas casas editorias, a Editora Bagaço permitiu que você como escritor pudesse escolher o ilustrador dos seus livros. Sabendo que Recife é uma capital repleta de artistas talentosos o que o levou a escolher como ilustrador o quadrinista Carlos Braga?
O bom e talentoso amigo Braga Câmara foi um achado. Literalmente. Caminhava pelas ruas do Recife Antigo quando conheci alguns de seus trabalhos na pintura. Achei que o traço dele se encaixava no que buscava para complementar os meus textos. Conheci primeiro a esposa dele, Tatiana, sua maior incentivadora, depois ele próprio. Daí em diante a coisa fluiu. Não me passa pela cabeça em ter outro ilustrador para as minhas histórias. Dizem que ele interpreta como ninguém os meus textos. Às vezes sou eu quem põe texto nos desenhos dele. E a coisa vai funcionando muito bem, obrigado. Nos tornamos parceiros desde aquele dia e desejamos que seja infinitamente duradoura, quem sabe imorredoura esta dupla. Dizemos que nossos trabalhos se complementam. Quanto ao concurso da APL, submeti ao concurso literário o texto já ilustrado (embora apenas o texto tenha sido avaliado). Então como o livro já estava praticamente pronto, não haveria porque modificar ou buscar outras ilustrações.
- Como é receber um prêmio concedido pela Academia Pernambucana de Letras, uma das mais tradicionais instituições culturais do país?
Ser premiado, seja pela APL ou em outro certame, é sempre uma honra, um incentivo e também uma responsabilidade. Pois passamos a ser vistos com outros olhos, certamente com maiores exigências. E isso é bom, pois nunca há sempre novos olhares a nos orientar em outras direções que não havíamos percebido, novas experiências podem surgir e, desta maneira, novos aprendizados.
- Ultimamente não é necessário trabalhar sua produção literária por meio de casas editoriais no eixo Rio-São Paulo, para ver resultados de qualidade, as novas tecnologias facilitaram a impressão e divulgação, isto é uma maneira de abrir espaço para a produção literária no Brasil?
Por um lado, podemos dizer que sim (a internet tem um inimaginável poder de divulgação – o meu primeiro blog literário – contonton.blog.terra.com.br – alcançou mais de 120 mil acessos em apenas um ano!), mas como as grandes casas editoriais ainda estão no eixo sul-sudeste, nós aqui no nordeste temos que desprender um esforço imenso para levar o nosso trabalho ao grande público. Em primeiro lugar em uma relação de escala. Lá há um número muito maior de consumidores (em números absolutos e em poder aquisitivo) para nossa arte, o que por si só já traz grandes vantagens em termos de custo e de tiragem. Costumo dizer que quem não tem um bom agente literário estando em nossas terras nordestinas, sempre vai ter dificuldades de ser percebido, inclusive pela mídia nacional. Que bom que o Raimundo Carreiro acaba de ser premiado na 3ª edição do Premio São Paulo de Literatura. Quem sabe os grandes editores renovem seus olhares ao nordeste para garimparem novos valores na literatura?!? As novas tecnologias de pequenas tiragens também abrem novas portas… este tema dá uma outra entrevista enorme.
- Professor Nunes, gostaria de agradecer sua disponibilidade e atenção e aproveito para parabenizá-lo pela premiação que vem para merecidamente reconhecer seu trabalho e seu esforço criativo dentro do rico cenário que é a produção literária nacional. O espaço é seu para suas considerações finais.
J.J, eu que agradeço a gentileza de seu interesse e disponibilidade em publicar esta entrevista. Parabenizo o seu Laboratório Espacial tão celebrado entre os aficcionados dos desenhos e dos quadrinhos. Que venham mais histórias com textos e ilustrações que se completam e que possamos juntos, escritores e ilustradores nordestinos, alçar novos e mais altos vôos. Receba meu abraço mais que cordial da terra do frevo e do maracatu. Até a próxima!
Prof. Antonio Nunes (Tonton) na internet:
Contos e Histórias de Tonton
Contos e Histórias de Tonton (atual)

Valdeci Carvalho começou profissionalmente com tiras e ilustrações no jornal comunitário O Coletivo. Logo em seguida passou a ministrar as oficinas de HQ e Desenho para ONGs e projetos comunitários. Em 2001 foi 1º lugar no Festival de Artes de Fortaleza e em 2004 participou de uma exposição em Volta Redonda. Publicou os fanzines Insano e Insano Comics de 2002 a 2005. Produziu várias cartilhas em quadrinhos para instituições diversas e atualmente conduz oficinas de Histórias em Quadrinhos no Centro Cultural Bom Jardim. Semanalmente suas tiras vão ao ar no site Desventuras de Davi que originou a revista, agora publicada pela Editora Tupynanquim.
Valdeci, o que te levou para o mundo das Histórias em Quadrinhos?
Quando criança gostava de assistir o seriado Jaspion. Lembro de tentar desenhar ele mas não conseguia. Então fui tentando desenhar e depois de muita prática já o fazia muito bem.
Depois tive acesso a revistas do Maurício de Sousa e do Mino. Depois de conhecer o trabalho destes dois, comecei a produzir minhas próprias histórias em quadrinhos.

Como arte-educador qual a importancia dos quadrinhos e da criatividade na formação educacional dos jovens? Hoje há mais espaço para a arte nas escolas do que quando vc era estudante?
Quando estudante não havia espaço algum. Hoje vejo diariamente a importância desta arte dentro da sala de aula, pois é impressionante como os alunos da rede pública não gostam de ler. Mas sempre que levo os quadrinhos, eles lêem e relêem tudo rapidinho e os professores já se tocaram disto. O Governo Federal até inclui os quadrinhos nas aulas do projeto “Mais Educação” que acontece em várias escolas por todos os estados brasileiros.
Explica pros nossos leitores quem são os personagens principais da revista “As Desventuras de Davi”.
Os personagens principais são o Davi, um adolescente como eu e você, (Opa Jota, não somos mais adolescentes, mas tudo bem. He! He!). Tem a Lúcia, cuja beleza não é muito seu forte; o Cristiano que é o cara mais doido que qualquer um poderia conhecer (mas se você for ao Centro da cidade ou programa João Inácio Show da Tv Diário, aí você conhece gente parecida). Tem até um personagem chamado “Cabeça de bunda”; é que a bunda dele não é no mesmo lugar que todo mundo, a dele fica na cabeça porque ele assiste muita televisão. Bom, tem mais de 20 personagens … pouco a pouco irão aparecer na revista.

Os personagens apresentam um convívio familiar e social muito parecido com o da maioria dos jovens, em que você se inspirou para criar as situações e passagens da revista?
Muitas idéias surgem em um ônibus, de uma reportagem que passou na televisão, de uma música que não pára de tocar no rádio. Resumindo, vem das pessoas e da realidade dos lugares que freqüento.
Quais autores de quadrinhos admira e que quadrinhos foram mais marcantes para você?
Os autores que mais admiro são; JJ Marreiro, Guabiras, Klévison, Daniel Brandão, Denilson Albano, Weaver, Lupin, Mino, Carlos Campus e Aloísio Lobo. Nacionalmente gosto muito do Maurício de Sousa.
Sei da diversidade de traços e de idéias bacanas que os artistas nacionais possuem, mas gosto de verdade do trabalho destes artistas. Os quadrinhos que foram mais marcantes para mim não foram grandes “Obras de Arte” que vem de outros paises, e sim quadrinhos que li em diversos fanzines.
A Editora Tupynanquim está lançando agora o terceiro volume da revista “As Desventuras de Davi”. Como você vê o espaço que o quadrinho nacional está ganhando através de editoras alternativas e independentes (como a Jupiter II, Marca de Fantasia, SG Produções e a própria Tupynanquim)
Eu acho muito bacana, mas acredito que o caminho certo é tentar levar as histórias em quadrinhos sempre para a massa, para o público grande mesmo. É por isso que não deixo minha função de arte-educador, porque levo os quadrinhos para o público que não tem contato com quadrinhos e fico muito feliz pois grande parte do público que lê minha revista, geralmente nunca teve contato antes com outras HQ´s.
Valdeci obrigado por este breve papo e se quiser deixar alguma mensagem para nossos leitores o espaço é seu.
Gostaria de convidar a todos para comparecer ao lançamento da revista e sempre que possível acompanhar meu site www.desventurasdedavi.com e principalmente: Nunca desistam dos seus sonhos!
Agradeço a oportunidade Grande Jota e obrigado de verdade.
Para conhecer mais sobre o autor e suas criações visite Desventuras de Davi e o blog do Valdeci


Tive a honra de apresentar em começo de julho deste 2010, uma palestra do grande cartunista brasileiro Mino. O áudio da palestra você confere abaixo ou no download.
Quem conhece cartum nacional já deve ter tido contato com o trabalho do Mino, mas para os neófilos é uma excelente oportunidade de saber mais da trajetória dessse Mestre das Histórias em Quadrinhos brasileiras e ter contato com sua história, sua vivência e sua incomparável presença de espírito e bom humor.

O áudio foi mantido praticamente sem edição para manter a documentação desta gravação intacta para a audiencia. Bom programa e boas risadas.

As Histórias em Quadrinhos e os mangás vem ganhando cada vez mais espaço no mundo pop com as adaptações para cinema, tv e outras mídias. Secretarias de Cultura de diversos municípios e estados passaram a reconhecer a relevância social da Arte Sequencial e começaram a investir em espaços públicos e projetos associados a essa temática. E é nesse cenário que cada vez mais instituições abrem espaços para cursos de quadrinhos.
Em Sobral o cartunista Wescley Braga lança os cursos de Desenho, Quadrinhos e Mangá. Como a maioria dos profissionais da área, Wescley começou sua trajetória no meio independente editando seu material junto ao Grupo Gattai. Agora além de atuar na área do design e ilustração, o desenhista inicia um novo empreendimento ministrando os cursos de desenho, mangá e quadrinhos.
Em depoimento ao Laboratório espacial, o cartunista e designer ressaltou a importância dos cursos de quadrinhos que hoje existem nas principais cidades do país complementando: “O quadrinho é uma mídia de muito peso quando usado de maneira correta, até o Google já usou como recurso de publicidade.Infelizmente, algumas pessoas ainda vêem como algo infantil. Aprender a produzir em várias mídias é um diferencial de mercado. Para qualquer profissional que atua na área de comunicação hoje, é indispensável conhecer o poder dos quadrinhos.”
Wescley lembrou a presença do quadrinho nas mídias cinema, TV, games e as adaptações literárias de grandes romances brasileiros para quadrinhos como elementos motivadores para formação de público e mercado de trabalho para quadrinhistas.
Os cursos ministrados por Wescley incluem exercícios específicos dentro das aulas práticas e teóricas,onde o conhecimento vai sendo construído numa metodologia construtivista composta da interação com o aluno e constante avaliação de suas produções.
Entrevista
O Quadrinhista Wescley Braga (integrante do Gattai Zine e professor de artes) abre a cachola para dividir com o Laboratório Espacial algumas de suas impressões sobre os Quadrinhos e sua relação com a comunicação social e o mercado.
Quais elementos vc acha que podem ajudar o grande público a entender o Quadrinho como uma mídia de múltiplos gêneros e temáticas?
WESCLEY: Embora muitas pessoas não leiam quadrinhos, quando vão ao cinema ou veem televisão encontram derivações dos quadrinhos. O cinema e a televisão são é sem dúvida meios mais fáceis de atingir um público maior e tem usado quadrinho como fonte para se renovar.
As pessoas que vão assistir um filme e descobrem que foi baseado em HQs acabam se interessando também a procurar a obra original, algumas vezes até mesmo para ver informações que vão além do filme. Do mesmo modo, alguns quadrinhos basedos em grandes obras literárias também podem levar as pessoas a procurar os livros, que são a obra original. Então acaba tudo que interagindo, e uma mídia vai ajudando a outra a se propagar.
O mangá mesmo sendo segmentado por faixas etárias e assuntos ainda é, em grande maioria, publicado no Brasil apenas como produto de consumo para adolescentes, não é?
WESCLEY: O maior problema dos quadrinhos é a divulgação e isso ocorre também no mangá. O mangá tem vários temas, gêneros, dirigidos a várias faixas etárias e ainda assim é consumido apenas por uma maioria de adolescentes, porque simplesmente o público em geral desconhece essa diversidade. A nova turma da mônica em estilo mangá está sendo um grande sucesso e isso também é algo que vai levar outras pessoas que eram só acostumadas a ler Mônica a buscar também outros mangás. Mas por trás de tudo isso teve uma divulgação que valorizou a turma da Mônica. Porque será que na televisão não tem um comercial sobre um lançamento de um mangá? É porque falta investimento e reconhecimento da grande mídia que é o quadrinho.
Se fizermos uma pequena observação como funciona o mercado de mangás no Japão e o quanto as editoras lucram com com seus derivados, animes, jogos, filmes e outros. Isso nos bastaria para ver o quanto o quadrinho tem o seu valor.
Ainda sobre quadrinhos e mangá, eles fazem parte de um composto maior que é a arte sequencial. Que áreas do conhecimento você acha que podem fazer bom uso das técnicas narrativas e visuais do quadrinho e do mangá?
WESCLEY: Em filmes e animação os conceitos são muito parecidos, como a criação de roteiro. Se você cria um roteiro para um quadrinho, ele pode ser usado para criar uma animação, um filme, uma novela, um seriado. Tudo tem uma relação de mensagem e visão. Seja no design gráfico, no web design, nos quadrinhos. Mais do que tudo, nesses meios, uma mensagem deve ser levada através do elemento visual, ou seja, são os recursos visuais, desenho, ilustração, tipologia, diagramação, cores, layout dentre outros, que irão transmitir a mensagem ao público.
Agradecemos ao Professor Wescley Braga pela entrevista e torcemos para que mais e mais pessoas venham a descobrir o mundo dos quadrinhos e suas múltiplas facetas através dos seus cursos de desenhho, quadrinhos e mangá. Para mais informações sobre o trabalho do Wescley Braga visite:
www.Wescleyb.com
www.wescleyb.blogspot.com
Grupo Gattai
Mais detalhes sobre os Cursos ministrados por Wescley Braga clique aqui.

