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O Prêmio Elita Ferreira é uma honraria concedida pela Academia Pernambucana de Letras destinada à produção em literatura para o publico infantil. Engenheiro e Professor Universitário, Antonio Nunes foi agraciado nas premiações relativas a 2008 e 2009 com os Livros: “O aprendiz de Don Juan” e “A visão do mundo de um cãozinho de estimação”.  Nesta entrevista exclusiva, o autor fala de educação, literatura, criatividade e sobre uma nova ótica de produção editorial à margem do mercado tradicional.
-Prof. Nunes, como um Engenheiro e Professor Universitário acabou se tornando também um escritor?

Rapaz, o primeiro registro de escrito meu datilografado (pela expressão já sabe que faz um bom tempo, não?) é de 1979. Eu tinha 9 anos de idade. Acho que o escritor é que se tornou engenheiro e professor universitário. Em verdade, houve um período em que me dediquei com mais afinco à engenharia e à carreira universitária. Mas, sabe com é, coisa latente é assim, um dia eclode e não deu outra… Desde então, a escrita (a literatura como um todo) vem ganhando cada vez mais espaço em minha vida pessoal e, quem sabe, se torne mesmo uma atividade profissional.

-Existe algum elemento em comum nas suas histórias?

Dizem que tudo o que um escritor é coloca no papel, mas que reflexo de sua percepção do mundo que o cerca, está recheado de impressões e de memórias pessoais. Comigo, no tocante aos contos infantis, creio que isso acontece. Quem leu as minhas histórias diz que elas trazem nas entrelinhas sempre um quê filosófico, que não são exatamente contos exclusivamente para crianças. Bom, como este comentário já se repetiu algumas vezes, creio que seja bem verdadeiro. Quanto aos assuntos tratados, estes são os mais variados. Acredito que a fonte de inspiração ainda tenha bons frutos a oferecer…become-03

-Você é considerado pela crítica um contista revelação, o que sua produção textual inclui além da produção acadêmica e da literatura infantil?

Além dos contos, maior parte de minha produção textual (se puder me definir como escritor, digo que sou essencialmente contista), já escrevi algumas novelas (romances curtos ou contos longos, como dizem por aí). Uma destas novelas (Gênesis – uma história de amor e ciência…) recebeu menção honrosa na categoria ficção pela Academia Pernambucana de Letras em 2009. Como não podia deixar de ser, eventualmente, faço incursões pela poesia, mas não me considero apto a ser cunhado de “poeta”.

-Qual a importância da presença da leitura no processo de formação? A família pode colaborar com a escola para presenciar o livro na vida dos estudantes?

Sempre digo aos meus alunos que existem dois processos para a mudança de comportamento, de valores, de posicionamento diante do mundo e da própria realidade. O primeiro é a exclusão, que te força a comparar o teu ser e estar com o do grupo social no qual você está ou pretende estar inserido. Esse caminho é duro e nem todos conseguem alcançá-lo. Já o outro, que depende exclusivamente de você e que ninguém pode negar, é a educação, a leitura, pois é independente das demais pessoas. O primeiro é uma mudança promovida de fora para dentro, enquanto a segunda é uma mudança de dentro para fora. Me entende? Nesse processo a família é de fundamental importância, incentivando, presenteando com leituras, proporcionando experiências desta natureza. Pode ser com um gibi, um livro paradidático, jornais  ou mesmo com clássicos da literatura. O importante é ter acesso, desde cedo, à leitura.

-O Brasil está desenvolvendo o Programa de Alfabetização na Idade Certa por culpa de uma deficiência no acompanhamento e avaliação de conhecimento do ensino público. Isso vai atuar na parcela da população jovem que passou pela escola e não aprendeu a ler. Mas as pessoas que mesmo sabendo ler e não lêem constituem um outro problema que é o analfabetismo instrumental. Para este outro analfabetismo deveria haver também um projeto de estímulo a leitura?

Claro que sim. Há uma máxima que diz o seguinte: “Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê!”. Se não sabemos ler bem, e isso inclui interpretar além do escrito (um livro, um jornal, um anuncio de outdoor, um contrato etc.), compreendê-lo por completo, perdemos muito de nossa capacidade de perceber o mundo ao nosso redor e de nos colocarmos diante dele, não é verdade?Algum tempo atrás cheguei a escrever um texto para o Programa Literatura para Todos, do Ministério da Educação, destinado a sistema nacional de alfabetização de jovens e adultos, mas os muitos afazeres do dia a dia acabaram por não permitir que concluísse a obra a tempo do certame existente à época. Para quem vive na terra de Paulo Freire e já bebeu de suas ideias, convém relembrar que o aprendizado é forma de construir a própria vida.become 04

-Quais os autores nacionais e estrangeiros são referenciais de boa leitura para você?

Entre os brasileiros tenho como preferidos o Moacyr Scliar (que considero o maior escritor vivo de nosso país – e que assim permaneça por muitos e muitos anos, nos brindando sempre com obras-primas), o mestre Machado de Assis e o Rubem Braga, com suas maravilhosas crônicas. Entre os estrangeiros, tenho predileção pelos contistas russos (Tchekov, Tolstoi e Gorki), os franceses (entre eles o incrível Maupassant) e os italianos (Moravia, Pirandelo, Primo Levi e Calvino – embora cubano de nascimento este último). Leio muito e de tudo, por insistência de um bom amigo tenho descoberto no original contos de escritores ingleses maravilhosos (Munro – Saki, Wells, Poe, Dickens e Kippling, dentre outros). Ademais já travei contato com contistas excelentes de muitas outras origens (Kawabata, Lugones, Bashev Singer, Onetti etc.), além dos clássicos dos contos infantis, como: os irmãos Grimm, Andersen, Monteiro Lobato e muitos mais.

-Você acha que um autor tem sempre altos e baixos ou isso é apenas uma questão da maneira como o público repercute suas opiniões sobre as obras?

A questão é que sempre temos períodos mais produtivos e outros menos, seja na quantidade, seja na qualidade dos escritos. Creio que isso acontece com todas as atividades profissionais. Acontece também que a palavra escrita pode ser recebida, interpretada e avaliada. Alem do mais, uma vez que levamos um texto ao público, ele já não será mais nosso, passará por novas apropriações. Ganha vida independente, pois muitas vezes, conseguem apreender algo que o escritor jamais imaginou ou lhe passou pela cabeça conscientemente. Ah, o inconsciente! Daria várias entrevistas este tema…become-01

-Como é seu processo criativo? Qual o gatilho que deflagra a geração de um livro?

Sabe que sinceramente não sei! Pode ser um fato presenciado, que ouvi contar, uma palavra que me soa de outra forma… É uma verdadeira bala perdida (desculpem-me o trocadilho) e que acerta o alvo certo. Em resumo, atento ou não para as coisas do cotidiano, os motes, as inspirações surgem a qualquer momento e local, por isso é sempre bom ter papel e lápis à mão. Tenho um banco de planos repleto em meu computador, um dia as histórias nascem… Adormecem por um período (ou não) e depois ganham vida… Às vezes me acordo no meio da noite e tenho aquela compulsão em escrever. Não penso muito no que escrevo e, quando me dou conta, já está lá. Na maioria das vezes, quase pronto. Gosto de manuscrever (pois, para mim, assim as ideias fluem melhor, mais rápido) e depois lapido o escrito enquanto o digito.

- A pergunta a seguir pode parecer uma saia justa, então se não achar conveniente pode não respondê-la,ok? Ao contrário do que ocorre em algumas casas editorias, a Editora Bagaço permitiu que você como escritor pudesse escolher o ilustrador dos seus livros. Sabendo que Recife é uma capital repleta de artistas talentosos o que o levou a escolher como ilustrador o quadrinista Carlos Braga?

O bom e talentoso amigo Braga Câmara foi um achado. Literalmente. Caminhava pelas ruas do Recife Antigo quando conheci alguns de seus trabalhos na pintura. Achei que o traço dele se encaixava no que buscava para complementar os meus textos. Conheci primeiro a esposa dele, Tatiana, sua maior incentivadora, depois ele próprio. Daí em diante a coisa fluiu. Não me passa pela cabeça em ter outro ilustrador para as minhas histórias. Dizem que ele interpreta como ninguém os meus textos. Às vezes sou eu quem põe texto nos desenhos dele. E a coisa vai funcionando muito bem, obrigado. Nos tornamos parceiros desde aquele dia  e desejamos que seja infinitamente duradoura, quem sabe imorredoura esta dupla. Dizemos que nossos trabalhos se complementam. Quanto ao concurso da APL, submeti ao concurso literário o texto já ilustrado (embora apenas o texto tenha sido avaliado). Então como o livro já estava praticamente pronto, não haveria porque modificar ou buscar outras ilustrações.

- Como é receber um prêmio concedido pela Academia Pernambucana de Letras, uma das mais tradicionais instituições culturais do país?

Ser premiado, seja pela APL ou em outro certame, é sempre uma honra, um incentivo e também uma responsabilidade. Pois passamos a ser vistos com outros olhos, certamente com maiores exigências. E isso é bom, pois nunca  há sempre novos olhares a nos orientar em outras direções que não havíamos percebido, novas experiências podem surgir e, desta maneira, novos aprendizados.become-02

- Ultimamente não é necessário trabalhar sua produção literária por meio de casas editoriais no eixo Rio-São Paulo, para ver resultados de qualidade, as novas tecnologias facilitaram a impressão e divulgação, isto é uma maneira de abrir espaço para a produção literária no Brasil?

Por um lado, podemos dizer que sim (a internet tem um inimaginável poder de divulgação – o meu primeiro blog literário – contonton.blog.terra.com.br – alcançou mais de 120 mil acessos em apenas um ano!), mas como as grandes casas editoriais ainda estão no eixo sul-sudeste, nós aqui no nordeste temos que desprender um esforço imenso para levar o nosso trabalho ao grande público. Em primeiro lugar em uma relação de escala. Lá há um número muito maior de consumidores (em números absolutos e em poder aquisitivo) para nossa arte, o que por si só já traz grandes vantagens em termos de custo e de tiragem. Costumo dizer que quem não tem um bom agente literário estando em nossas terras nordestinas, sempre vai ter dificuldades de ser percebido, inclusive pela mídia nacional. Que bom que o Raimundo Carreiro acaba de ser premiado na 3ª edição do Premio São Paulo de Literatura. Quem sabe os grandes editores renovem seus olhares ao nordeste para garimparem novos valores na literatura?!? As novas tecnologias de pequenas tiragens também abrem novas portas… este tema dá uma outra entrevista enorme.

- Professor Nunes, gostaria de agradecer sua disponibilidade e atenção e aproveito para parabenizá-lo pela premiação que vem para merecidamente reconhecer seu trabalho e seu esforço criativo dentro do rico cenário que é a produção literária nacional. O espaço é seu para suas considerações finais.

J.J, eu que agradeço a gentileza de seu interesse e disponibilidade em publicar esta entrevista. Parabenizo o seu Laboratório Espacial tão celebrado entre os aficcionados dos desenhos e dos quadrinhos. Que venham mais histórias com textos e ilustrações que se completam e que possamos juntos, escritores e ilustradores nordestinos, alçar novos e mais altos vôos. Receba meu abraço mais que cordial da terra do frevo e do maracatu. Até a próxima!

Prof. Antonio Nunes (Tonton) na internet:
Contos e Histórias de Tonton
Contos e Histórias de Tonton (atual)become-00

Livro pela Editora Senac_OK

Durante o mês de agosto deste 2010, São Paulo teve a sua 21a Bienal Internacional do Livro. Repleta de atrações e convidados internacionais, a festa do livro promoveu publicações dos mais variados gêneros e temáticas. O evento teve aproximadamente 350 expositores, nacionais, internacionais e mais de 900 selos editoriais  numa área de 60 mil metros quadrados. No sábado 14 de agosto o evento teve um público recorde de 80 mil pessoas.

As histórias em quadrinhos tiveram presença forte no evento mostrando que movimentam uma robusta fatia do mercado. No estande da Editora SENAC a surpresa foi o livro de Lederly Mendonça: A Espetacular Arte de desenhar Quadrinhos. O livro cuja didática é direcionada para iniciados e neofilos ficou entre os 10 mais vendidos da Editora durante o evento.

Em depoimento Lederly Mendonça afirmou: “Significa uma grande alegria e satisfação não só a nível pessoal, mas também porque o livro leva a marca da produção cearense de quadrinhos. Dessa forma, gosto de pensar que não apenas o meu nome está entre os dez mais da Editora SENAC na Bienal, mas também o nome de toda a equipe da Editora SENAC Ceará por trás do livro que trabalhou duro pra torná-lo realidade…”

E em seguida complementou: “…E também o nome de cada desenhista cearense que está batalhando pra ver suas obras publicadas. Fico muito feliz em ver que o livro pode estar abrindo portas agora mesmo para muitos outros desenhistas arregaçarem as mangas, não só pelos ensinamentos que o livro trás, mas também pelo incentivo em continuar acreditando que é possível.”bienal SP 2010

A Editora SENAC Ceará aponta na direção de reforçar seu catálogo investindo na Arte Sequencial e as vendas do livro de Lederly podem abrir ainda mais espaço para isto. A nossa torcida é que além de material didático a Editora se proponha a abrir espaço também para Graphic Novels.

Título: A Espetacular Arte de Desenhar Quadrinhos
Autor: Lederly Mendonça
Editora: SENAC Ceará
Número de páginas: 144
Número de capítulos: 07 (Anatomia Feminina – Anatomia Masculina – Criação de Personagens – Cenografia – Produção de Roteiros – Quadrinização – Ferramentas) + 01 apêndice com dicas rápidas (Como desenhar personagens aliens I e II – Como “molhar” a chuva – Como desenhar grafismos)

http://lederly.com.br/livro/
contato: lederly@gmail.com

mkf01Uma História em Quadrinhos começa com uma idéia, um elemento motivador. Em conversas com os roteiristas da equipe MSP, o Editor Sidney Gusman, responsável pelo planejamento e novos produtos editoriais da empresa imaginava fazer uma homenagem aos 50 anos de carreira do cartunista Maurício de Sousa. Ao invés de seguir o caminho tradicional, que seriam edições comemorativas com republicações ou especiais produzidos pelos artistas da casa, Sidney convidou artistas de diversos traços e estilos para que com sua própria linguagem fizessem HQs em homenagem ao cinqüentenário. Maurício aprovou a idéia de imediato e demonstrou um grande entusiasmo durante todo o processo de edição. O sucesso foi tamanho e a resposta tão positiva que logo foi engatilhada uma segunda edição.

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Logo se estabeleceu uma expectativa sobre quem seriam os convocados desta segunda seleção de artistas. Os nomes foram revelados via Twitter causando um furor no fandom, pois até então apenas os artistas, Sidney e Maurício sabiam quem eram os convocados.

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Conheci o Professor Ivan Carlo, que todos no meio dos quadrinhos conhecem por seu codinome Gian Danton, quando de uma visita dele de férias à minha cidade, Fortaleza. Na época eu trabalhava junto com Daniel Brandão nos cursos de Quadrinhos e Mangá. Estávamos no estúdio quando de repente o escritor-editor da celebrada revista Manticore toca a campainha. Ao chegar na cidade e visitar praias, pontos turísticos, shoppings, esses programas familiares, Gian parece ter sido acometido de uma curiosidade repentina: “onde está o pessoal dos quadrinhos daqui?”. Ele fuçou, pesquisou e encontrou o Estúdio do Daniel. Daí até se iniciarem as parcerias com os novos amigos do Ceará foi um pulo.

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Fico feliz de ter desenvolvido algumas coisas ao lado de Gian que é um dos mais talentosos escritores de quadrinhos do Brasil…e obviamente ele não escreve apenas quadrinhos. Criamos alguns projetos em conjunto alguns deles ainda a caminho de ver a luz, a exemplo da tira O Camaleão, outros já devidamente iluminados como Os Problemas de Carlinhos, onde faço apenas o desenho.

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No segundo álbum da série MSP, Sidney Gusman pensou em explorar melhor uma parte do que foi vislumbrado na primeira edição: o universo dos personagens de Maurício sob a ótica de outros artistas. Como Mozart Couto, Adriana Melo, Roger Cruz, interpretariam os personagens da turma. Que personagens eles gostariam de desenhar.

Com base nisso Gian e eu fomos convidados a trabalhar novamente em conjunto, desta vez sob a batuta do Maestro Gusman que regia a “sonoridade” afinada de mais 50 desenhistas sortudos. Minha alegria foi dupla ou tripla, pois trabalhar com amigos num projeto tão importante era muito mais do que eu poderia esperar.

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Star Trek, Perry Rhodan, Dr. Who, Planet Comics, Strange Worlds, Flash Gordon, Buck Rogers já foram citados por mim inúmeras vezes nas matérias e divulgações relacionadas a esta produção, mas o fato é que, estes universos ficcionais encontraram morada fácil na minha memória e do Gian Danton.
O resultado dessa salada de influencias foi um Astronauta cujos elementos remontam a uma ficção científica retrô ou vintage. Após algumas tentativas iniciais, após o drama do peso da camisa, desvencilhamo-nos das complicações e saímos da experiência com um quadrinho que resulta da fusão de visões e possibilidades próprias de nossa ótica, mas que, creio eu, manteve-se fiel também à raiz plantada pelo Maurício quando da criação do personagem.

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Aproveito para agradecer a todos que colaboraram direta ou indiretamente com minha participação nesse projeto Sidney, Maurício e Gian. Fernando, Allan e Walber com quem sempre converso sobre Ficção Científica e idéias malucas; Prof. Jesuíno um mestre e conseglieri;  a minha família que faz parte de um outro tipo de making of…o da vida. E como não pode faltar um agradecimento de ordem espiritual, à energia que permeia todos os seres vivos do universo.

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imortalMachado de Assis, Jorge Amado, José de Alencar estão entre os imortais da Academia Brasileira de Letras. A obra desses e de outros autores continua ganhando novos apreciadores a cada dia, já dizia o sábio Henfil: “Morro, mas meu desenho fica!”. A obra de arte tem esse poder de estimular experiências, sensações, instigar reflexões e concepções diversas sobre um tema ou assunto, a arte prolifera visões, sonhos, impressões, realidades.

No Brasil se usa o termo imortal associado à literatura, mormente por influencia da denominação dirigida aos membros da Academia Brasileira de Letras. Entretanto todo cantor, compositor, pintor, escritor, cartunista (aqui sintetizando as atividades relacionadas a quadrinho, tira, ilustração e cartum) que cumpriu a elaboração de uma obra ao longo de sua história torna-se naturalmente imortal, pois a arte imortaliza.

Assim como a bondade, a maldade e a beleza, a arte registra para a posteridade a passagem do homem pelo mundo. A arte é a maneira que o homem utiliza para enganar a morte, pois através dela o que ele viveu, sentiu e pensou é passado a seus descendentes e a tantos quantos a esta arte tenham acesso.

O mundo pop produz seus imortais e se alimenta de sua produção e de sua memória. Ídolos como Elvis Presley, John Lennon, Michael Jackson legaram à posteridade interpretações inesquecíveis e são conhecidos por apreciadores no mundo todo pela proliferação da obra que realizaram. O que o mundo conhece deles está ligado a seu trabalho, a seu ofício. Sua vida pessoal, suas crises existenciais, suas dores e sofrimentos são um pano de fundo por trás da obra e do legado. Sem dúvida as biografias em livros ou filmes dimensionam e aproximam o ídolo do mundo real, tornando o artista mais humano, falível, crível e portanto ainda mais próximo de seu público. Mas de maneira estrita a obra fala mais alto, pois só nos interessamos pela pessoa após sermos despertados pela curiosidade sobre quem está por trás daquele legado. Os problemas de Jackson Pollock com Álcool, os dramas de convívio familiar de Michael Jackson se tornam instigantes apenas num segundo momento. “Romeu e Julieta”, “Otelo”, “Hamlet” são presentes que William Shakespeare deu ao mundo, são seu trabalho, sua obra, sua arte…quem se importa se Shakespeare era alcoólatra ou tinha problemas familiares? A arte é maior que o homem que a realiza, tanto pelo poder que possui de imortalizá-lo quanto pelo poder de engrandecê-lo. 

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Artistas como Paul MacCartney, Keith Richards, ou Lady Gaga não fazem parte de nosso círculo social, tudo que percebemos deles são seu trabalho e os esforços relacionados a divulgação desse trabalho. Obviamente a mídia se alimenta da imagem e dos escândalos envolvendo os “famosos” e a utilidade disto resulta em divulgação (publicidade às vezes gratuita e outras vezes maldosa). As revistas de fofoca e de notícias sobre famosos cumprem a função de dar dimensão a “personagens” como Paris Hilton ou Lindsey Lohan. Alguns desses famosos acabam presos apenas a isto: a fama. É diferente imaginar que legado uma Paris Hilton deixará para o mundo e imaginar que legado deixará um Johnny Depp, ou melhor “o” Johnny Depp, já que Paris Hilton existem várias.

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O Faneditor Franco-Brasileiro Eduardo Pinto Barbier lança La Bouche Du Monde em sua décima primeira edição. Reunindo artistas do Canadá, Cuba, França, Portugal e Brasil a revista democratiza seu espaço para hqs de inúmeros gêneros, intercaladas com matérias e entrevistas. Oscar Kern e Gedeone Malagola são homenageados neste número e Antonio Cedraz traça o perfil de sua produção numa entrevista que levará para o mundo os quadrinhos de Xaxado e sua turma.

As Garotas da Selva em Apuros, agora intituladas de Les Filles de La Savane en Danger, ganham sotaque francês e expandem o universo de seus leitores consideravelmente. Criadas como uma homenagem ao gênero ‘Jungle Queens’ inaugurado nos quadrinhos por Jerry Iger e Will Eisner a série mistura ação folhetinesca, um toque de sensualidade e questionamentos ambientais, pois na trama a natureza precisa ser defendida da ação predatória do homem civilizado. Betty Page e Anita Ekberg inspiraram o visual desenvolvido para as personagens, cujos quadrinhos podem ser vistos no site Armagem.com.

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Vaja a lista dos colaboradores desta edição 11:
França: Anne-Marie, Syl, Tessadier, Froissard, Plas;
Brasil: Paulo Will, Alberto Pessoa, Pinto Barbier, JJ Marreiro, Laudo;
Canadá, Quebeque,: Phlillpgrrd, Louis Remillard;
Cuba: Lauzãn;
Portugal: Teresa Pestana.

A revista editada por Eduardo Pinto Barbier tem capa colorida, 44 páginas em formato A4.

Mais informações no link  La Bouche du Monde#11 !

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No sábado 24 de julho, a Gibiteca de Fortaleza, conhecida por seu acervo e por suas atividades culturais, abre espaço para o cartunista JJ Marreiro mostrar um pouco de seu trabalho. Classificado por PC Amoreira como Vanguarda Passadista, o trabalho de Marreiro evoca os clássicos ressignificando-os dentro do contexto da produção do quadrinho de hoje.

“Fui chamado para falar do meu trabalho, mas não dá pra falar do que faço sem me referir a Wally Wood e Steve Rude por exemplo. Assim, acredito que será uma ótima oportunidade para as pessoas perceberem que os clássicos estão na moda novamente, não só nas passarelas, mas nos quadrinhos!” Afirmou o quadrinista que levará o clima retrô-pop para o Astronauta de Maurício de Sousa no álbum MSP+50, com lançamento previsto para agosto.

Sobre o MSP+50, falou: “Trabalhei nesse projeto com o Gian Danton, um dos maiores roteiristas do quadrinho nacional que também é fã dos gibis clássicos e da literatura de ficção científica. O resultado além de homenagear o Maurício faz referencia às aventuras sci-fi dos anos 50”.

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Pra quem quer conhecer mais material do artista visite a seção de quadrinhos do site Armagem Herética ou acompanhe a recente entrevista concedida ao blog RoteroZ & Apinéia de Luis CS.

Gibiteca de Fortaleza
Biblioteca Publica Municipal Dolor Barreira
Av. da Universidade, 2572, Benfica
em frente a Casa Amarela

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O Quadrinista e Ilustrador José Carlos Braga Câmara acaba de ser agraciado, ao lado do escritor Antonio Nunes, com o Prêmio Elita Ferreira, uma honraria concedida pela ACADEMIA PERNAMBUCANA DE LETRAS. O cérebro por trás da trama dos dois livros premiados: “A Visão do Mundo de um cãozinho de estimação” e “O aprendiz de Don Juan” é o talentoso contista Antonio Nunes, responsável também pela criação da dupla que agora desponta para o sucesso.

“O Tonho, como chamo o Antonio Nunes, é um batalhador desde sempre” disse Carlos Braga, concluindo: “Foi ele que me escalou dando a oportunidade para que eu aparecesse como ilustrador de livros”.

Conhecido no meio dos quadrinhos como criador do personagem Capitão Alfa, BRAGA-webJosé Carlos Braga comprova nesse trabalho uma versatilidade típica dos grandes desenhistas brasileiros, transitando dos quadrinhos de heróis uniformizados para a literatura ilustrada infantil. “Fiquei muito contente e estou correndo atrás para fazer mais alguns!”, revelou o ilustrador em depoimento ao Laboratório Espacial. E mostrou-se surpreso com o resultado: “A premiação foi uma surpresa para mim, que não tava botando muita fé, mas a coisa correu melhor do que esperávamos!”

Os livros lançados pela Editora Bagaço são uma prova de que a produção literária em território nacional já não depende mais dos parques gráficos e do mercado livreiro monopolizador do Centro Oeste e Sudeste para oferecer produtos viáveis e de qualidade. E certamente o que garante a qualidade de uma obra litarária é seu conteúdo, o reconhecimento de tal fato laureia o empreendedorismo e o talento de Antonio Nunes, autor que exerce funções múltiplas nas criações de suas obras, atuando como profundo conhecedor de seu público e das possibilidades mercadológias de seu produto. Dentro de sua formação multidiciplinar acumula ainda, ao lado de sua veia literária, as funções de Engenheiro e Professor Universitário.

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A dupla premiada tem outros planos pela frente certamente reunindo os dois elementos que tornam um livro ilustrado inesquecível: um excelente texto e exelentes imagens.

Enquanto o Professor Nunes elabora novas surpresas com suas palavras mágicas, José Carlos Braga continua levando em paralelo seus projetos de quadrinhos administrando agora os convites para novos livros infantis. Para ver outras artes de Carlos Braga Câmara visite o fotolog Quadrinhos em Ação e aguarde novidades aqui mesmo no Laboratório Espacial.

livros premiados

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O desenhista e webdesigner Wescley Braga inaugurou recentemente uma exposição de seus trabalhos.
Quem comparecer a Elite Informática de Sobral-CE vai contemplar trabalhos diversos do artista produzidos para o mercado de quadrinhos ou publicitário. Tiras, ilustrações , arte sequencial e prévias de material inédito estão incluídas na mostra que segue até o dia 21 de agosto.
Se você não estiver em Sobral ou imediações pode conferir informações e fotos desta exposição e outras atividades de Wesclay Braga nos links: WescleyB.blogspot e WescleyB.com

1 -WORKSHOP RASCUNHO STUDIO Rascunho Studio.com

Rascunho Studio Blog

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Valdeci Carvalho começou profissionalmente com tiras e ilustrações no jornal comunitário O Coletivo. Logo em seguida passou a ministrar as oficinas de HQ e Desenho para ONGs e projetos comunitários. Em 2001 foi 1º lugar no Festival de Artes de Fortaleza e em 2004 participou de uma exposição em Volta Redonda. Publicou os fanzines Insano e Insano Comics de 2002 a 2005. Produziu várias cartilhas em quadrinhos para instituições diversas e atualmente conduz oficinas de Histórias em Quadrinhos no Centro Cultural Bom Jardim. Semanalmente suas tiras vão ao ar no site Desventuras de Davi que originou a revista, agora publicada pela Editora Tupynanquim.

Valdeci, o que te levou para o mundo das Histórias em Quadrinhos?
Quando criança gostava de assistir o seriado Jaspion. Lembro de tentar desenhar ele  mas não conseguia. Então fui tentando desenhar e depois de muita prática já o fazia muito bem.

Depois tive acesso a revistas do Maurício de Sousa e do Mino. Depois de conhecer o trabalho destes dois, comecei a produzir minhas próprias histórias em quadrinhos.

zine Insano e revista As Desventuras de Davi

Como arte-educador qual a importancia dos quadrinhos e da criatividade na formação educacional dos jovens? Hoje há mais espaço para a arte nas escolas do que quando vc era estudante?
Quando estudante não havia espaço algum. Hoje vejo diariamente a importância desta arte dentro da sala de aula, pois é impressionante como os alunos da rede pública não gostam de ler. Mas sempre que levo os quadrinhos, eles lêem e relêem tudo rapidinho e os professores já se tocaram disto. O Governo Federal até inclui os quadrinhos nas aulas do projeto “Mais Educação” que acontece em várias escolas por todos os estados brasileiros.

Explica pros nossos leitores quem são os personagens principais da revista “As Desventuras de Davi”.
Os personagens principais são o Davi, um adolescente como eu e você, (Opa Jota, não somos mais adolescentes, mas tudo bem. He! He!). Tem a Lúcia, cuja beleza não é muito seu forte; o Cristiano que é o cara mais doido que qualquer um poderia conhecer (mas se você for ao Centro da cidade ou programa João Inácio Show da Tv Diário, aí você conhece gente parecida). Tem até um personagem chamado “Cabeça de bunda”; é que a bunda dele não é no mesmo lugar que todo mundo, a dele fica na cabeça porque ele assiste muita televisão. Bom, tem mais de 20 personagens … pouco a pouco irão aparecer na revista.

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Os personagens apresentam um convívio familiar e social muito parecido com o da maioria dos jovens, em que você se inspirou para criar as situações e passagens da revista?
Muitas idéias surgem em um ônibus, de uma reportagem que passou na televisão, de uma música que não pára de tocar no rádio. Resumindo, vem das pessoas e da realidade dos lugares que freqüento.

Quais autores de quadrinhos admira e que quadrinhos foram mais marcantes para você?
Os autores que mais admiro são; JJ Marreiro, Guabiras, Klévison, Daniel Brandão, Denilson Albano, Weaver, Lupin, Mino, Carlos Campus e Aloísio Lobo. Nacionalmente gosto muito do Maurício de Sousa.

Sei da diversidade de traços e de idéias bacanas que os artistas nacionais possuem, mas gosto de verdade do trabalho destes artistas. Os quadrinhos que foram mais marcantes para mim não foram grandes “Obras de Arte” que vem de outros paises, e sim quadrinhos que li em diversos fanzines.

A Editora Tupynanquim está lançando agora o terceiro volume da revista “As Desventuras de Davi”. Como você vê o espaço que o quadrinho nacional está ganhando através de editoras alternativas e independentes (como a Jupiter II, Marca de Fantasia, SG Produções e a própria Tupynanquim)
Eu acho muito bacana, mas acredito que o caminho certo é tentar levar as histórias em quadrinhos sempre para a massa, para o público grande mesmo. É por isso que não deixo minha função de arte-educador, porque levo os quadrinhos para o público que não tem contato com quadrinhos e fico muito feliz pois grande parte do público que lê minha revista, geralmente nunca teve contato antes com outras HQ´s.

Valdeci obrigado por este breve papo e se quiser deixar alguma mensagem para nossos leitores o espaço é seu.

Gostaria de convidar a todos para comparecer ao lançamento da revista e sempre que possível acompanhar meu site www.desventurasdedavi.com e principalmente: Nunca desistam dos seus sonhos!

Agradeço a oportunidade Grande Jota e obrigado de verdade.

Para conhecer mais sobre o autor e suas criações visite Desventuras de Davi e o blog do Valdeci

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